O lobisomem paulista em As Boas Maneiras - crítica sem spoiler.


É de longe que se dizem que filmes de terror e fantasia são caros e são difíceis de serem produzidos no Brasil. Acontece é que nos últimos anos, as produções independentes tem mostrado o contrário desse mito, como A Mata Negra de Rodrigo Aragão, Bacurau de Kléber Mendonça,  A Luneta do Tempo de Alceu Valença e outros. 

Com o avanço das tecnologias, técnicas de filmagens e efeitos especiais na pós-produção, algumas produções voltadas ao gênero fantástico tem se destacado. Aqui falo sobre o filme As Boas Maneiras, dirigido pela dupla Juliana Rojas e Marco Dutra. O filme teve estréia em 2017, cheguei a assistir o filme por volta de 2018 e confesso que tinha esquecido dos detalhes dessa obra e recentemente voltei a vê-lo.




O longa retrata a história de uma mulher que engravida de um lobisomem mas que também trazem críticas sociais, como o racismo. Na trama a mulher negra Clara (Isabel Zuaa), procura emprego de empregada na casa da rica e solteira Ana (Marjorie Estiano). O filme é centrado em São Paulo, vemos os dois os lados extremos da cidade, a ponte estaiada e a periferia, quando Clara começa a trabalhar na casa de Ana ela nota um comportamento estranho da patroa, que caminha durante a noite, come carne na geladeira e em uma dessas noites caminha pela madrugada na cidade e mata um gato para comer.  É evidente nessa narrativa que estão se falando de uma mulher que engravidou e carrega um lobisomem na barriga, e é comprovado quando a Ana conta a história que conheceu um homem no bar, e foram para o mato e tal.. daí nasceu o fruto. 

O filme se divide em duas fases, a primeira centrado em Ana até o bebê nascer e na segunda, Clara já mais velha cuidando da criança que tem 7 anos. O menino lobo se guarda acorrentado num quarto secreto todas as noites de lua cheia e tem os cuidados de Clara, que não o deixa comer carne.

Diferente de algumas outras obras que foram lançadas na mesma época e que problematizam a questão do racismo em suas histórias, nesta aqui, a preocupação está mais em dialogar com convenções do que com o modismo. Os diretores buscaram filmar o longa com inspiração no filme de John Landis (O lobisomem americano em Londres) criando um horizonte de fantasia sobre a cidade, vemos que São Paulo está mais futurista no filme. Além de claro, não podia deixar de falar, os efeitos especiais no menino lobo, que quando assisti as cenas que o lobo estava transformado por completo achei que estava vendo um filme americano e não brasileiro, de tão boa que foi a qualidade. 


As Boas Maneiras é um filme cuidadosamente pensando na narrativa, estética e visual e que põe o gênero fantástico sobre o patamar mostrando que no Brasil temos e é possível trazer filmes com temáticas e gêneros inéditos para serem discutidos. 

Comentários

Postagens mais visitadas