Sorria (2022) minha crítica.

 



Um terror que foi inspirado em um curta-metragem, com a mesma temática e do mesmo diretor, Parker Finn. O longa que tem alguns sustos moderados e que conta com uns efeitos sonoros, tipo corda de violão, que deixa o espectador arrepiado ao mesmo tempo que fica incomodado, deixou a expectativa de ser o melhor filme de terror de 2022.

Na história acompanhamos a psiquiatra Rose (Sosie Bacon) sendo perseguida por uma "entidade" após presenciar uma paciente cometer suicídio na sua frente dando um sorriso bizarro. Em quase 2 horas de filme, que me deixou entediado, vemos os primeiros dias da protagonista que é obrigada a tirar licença do trabalho por já apresentar sintomas traumáticos. O trauma que a personagem vive é intenso, e é de se esperar após um choque como este, ao ponto dela fica se assustando com tudo e todos, admirei a caracterização e o trabalho no preparo emocional que fizeram na personagem, de bonita e arrumada para depois se desconstruir no final com aquele semblante de insônia e de uma pessoa que sofre depressão. Então, Rose descobre outras vítimas que também cometeram suicídio vendo essa suposta entidade sorrir na sua frente. O que desgastou para mim foi ver sucessivas cenas repetidas de descobre uma coisa e o que o espectador já espera leva a outra. O final, sendo só uma ilusão para enganar o espectador, ficou vago na minha percepção, quando Rose decide confrontar seu passado visitando a casa onde morou quando criança, ela vê o espirito da sua mãe (isso já vemos uma cena de flashforward no início), descobrimos que Rose carrega a culpa por deixar sua mãe morrer, então o monstro do sorriso aparece na casa tentando dar o finale em Rose, mas só para prolongar a cena, pois o monstro reaparece na casa de Rose e toma posse do seu corpo. Então concluí que foi uma maldição com sua mãe? Na minha opinião o roteiro quis envolver questões familiares junto com o outro contexto, que é aquele clichê dos filmes de terror sobrenatural, que uma maldição passa de uma pessoa para outra e faz várias vítimas, aqui não é diferente e a principal ideia foi esta. Embora essa conexão da mãe de Rose com a criatura do sorriso, reforça a ideia de uma personagem já ter traumas passados e uma culpa, que desencadeia toda a sua construção depressiva na história, pelo menos para mim, adiantou nesta interpretação.


O ponto positivo, que eu vi no longa foi trazer uma temática de fundo que é depressão pós-trauma, de uma pessoa sensibilizada psicologicamente após presenciar uma determinada situação; o suicídio da moça que foi um gatilho para a protagonista. Apesar dessa criatura/entidade do mal não fazer analogia ao transtorno vivido pela protagonista, já que na história é explorado uma questão de maldição, onde esta criatura (que ninguém vê inicialmente) é a materialização da maldição do sorriso nas cenas finais. 


A atriz de Bacon talvez tenha salvado o longa do estreante Parker, o que desempenha em sua trajetória uma boa atuação em mostrar uma intenção de perseguição por uma assombração perfeitamente atrelado a uma atmosfera de suspense e situações enigmáticas criadas pelo diretor, a fim de transmitir uma sensação de desconforto e pesadelo para a personagem. Além disso, não deixando de comentar sobre as técnicas de filmagem que o diretor adota no seu filme, com planos abertos e de cabeça para baixo, reforçando mais ainda a analogia de um pesadelo. Embora, que seu filme tem a premissa assim como todos filmes de maldição que funcionam muito bem, mas que padeceu de algum "tempero" a mais para ser um diferencial e chamar de único. 


Sorria traz boas expectativas para o espectador, é um terror mediano, que não traz lá grandes sustos ou sangue (para quem gosta de gore), mas que tem uma estrutura dramática boa, embora que poderia ser resumida em menos tempo de duração. 


Então Sorria meus queridos! 

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