'Era Uma Vez Em... Hollywood', Uma fábula contada por um mestre do cinema.
Seu lançamento foi em 2019, que na época eu esperava ansiosamente o retorno do meu cineasta favorito ao cinema, mesmo ano também que um dos grandes filmes épicos nacionais ganhava destaque nas bilhetes, Bacurau.
Era Uma Vez Em...Hollywood marcava o retorno de Quentin Tarantino, após quatro anos de hiato do seu último longa. Para quem admira e é fã do diretor, cada lançamento é motivo de se comemorar, na época tinham dois grandes filmes em cartaz e eu deixei de assistir o filme pernambucano para ver o estadunidense nas telonas. Nesse filme, o diretor traz uma adaptação literária para uma obra cinematográfica, com homenagens a vários filmes e referências das décadas passadas, coisa que é muito típica dos filmes de Tarantino.
O filme conta a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio) e o dublê Cliff Booth (Brad Pitt) tentando alcançar o sucesso em um cenário que já foi realidade para os dois, eles estão prestes a mudar o rumo da trágica história na eterna atriz Sharon Tate (Margot Robbie) cuja foi vítima do culto de Charles Manson.
Dalton, é um ator de TV que estava em um momento crítico da sua carreira tentando se erguer após vários fracassos nos seu trabalhos anteriores. Em parceria com seu amigo e dublê de cena Cliff, ambos embarcam numa jornada de descobertas entre si mesmos e de suas vidas, enquanto Rick encontra as palavras perfeitas para seu próximo papel, Cliff explora sua verdadeira identidade. Sobretudo, eles se veem envolvidos em momentos de ação e diálogos impressionantes, criando a experiência perfeita para o espectador. O que os dois não esperavam, é que o seus caminhos iriam cruzar com os caminhos de Sharon Tate e Charles Manson (Damon Herriman). Em resumo, na jornada Cliff e Rick entram em conflito com Charles Manson e seus seguidores, isso muda totalmente o rumo da história de Sharon, no decorrer do filme os dois passam por muitas aventuras cheias de comicidade. Todavia a comédia não é a proposta principal do filme, que foi genuinamente preparado para ser uma adaptação fiel ao que foi o modelo americano da década de 60.
Adaptação diferente da história real:
No filme, um grupo de hippies ia atacar a casa de Sharon Tate durante a madrugada, mas depois de discutirem com Rick Dalton, resolveram mudar de alvo. Decidem atacar a casa de Dalton, por vingança. Houve uma briga violenta, em que Cliff foi agiu heroicamente bem. Vale destacar que naquela noite, Cliff tinha sido demitido por Dalton, mas a amizade falou mais alto e ele arriscou sua vida lutando contra os invasores para salvar seu amigo.
No final, a gangue de Charles Mason perdeu a briga, todos os mocinhos ficam salvos. Porém, para quem conhece os fatos reais, não foi bem assim… Realmente houve um ataque à casa de Sharon Tate pela família Mason e todos na casa dela morreram, incluindo o bebê que ela estava gestando. Essa história foi muito impactante na época e ainda hoje é algo muito sério e comentado nos EUA.
O filme, que tem no seu título “Era uma Vez”, ao estilo dos contos de fada, mostra uma realidade alternativa em que ela vive e tem um final feliz. Inclusive, pelo que ouvi, mas não tenho certeza, Sharon não teve chance de ver o sucesso da sua atuação no filme que ela tinha feito e recém estreado, embora a gente vê ela assistindo a ela mesma na sala do cinema, vendo as pessoas reagindo a sua atuação e se divertiram, sem saber que ela estava ali presente, isso foi da cabeça genial de Tarantino, o que para alguns pode ser sido um fracasso, deixando o espectador angustiado aguardando um momento trágico para ela enquanto é surpreendido pela reviravolta do roteiro.
Sobre o jeito Tarantino de fazer cinema, ele capricha na linguagem da obra, usando planos enquadrados nos personagens principais, movimentos de câmeras e estilo de filmagens que eu sou apaixonado. Fora a direção de arte do filme, que ficou muito sensacional, e trazendo a atuação de grandes nomes do cenário cinematográfico.
Era Uma Vez em... Hollywood é, por enfim, muito mais do que a comprovação do amor de Tarantino pela indústria cinematográfica. Mesmo que arduamente levem a quase três horas de filme, o diretor mantém intacta sua capacidade de entreter e de criar personagens memoráveis, cenas marcantes, emoção e diversão. Não se limitando, à fala elaborada, à violência ou às referências, e autorreferências. Na sua fábula, Tarantino continua a usar cinema para fazer cinema, mas pela primeira vez conversa sobre a sua percepção da arte e propõe um diálogo com quem o assiste. Nessa discussão, a fantasia é destruída e reconstruída constantemente para que a ilusão seja percebida, assim como a sua importância. Às vezes, escapar da realidade pode ser a melhor forma de encará-la, eu amei o filme, embora ouvi críticas negativas sobre, mas para quem é fã o trabalho pode ser até inferior a outros, mas sempre a gente vai achar algo positivo nele.

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