A Morte do Demônio: A Ascenção. O Filme mais brutal de 2023 nostalgiando o bom clássico.

 




Evil Dead, é conhecido por ser sanguinário e violento, nos últimos anos a saga da TV e dos games tem agradado tanto os fãs nostálgicos quanto os novatos ansiosos por algo moderno. Em 2023 não foi diferente com A Morte Do Demônio: A Ascenção, que se mostrou muito claustrofóbico e violento. Reinterpretando o clássico dos anos 80 em uma nova ambientação e muito sangue.


O longa retoma a linha do seu antecessor de dez anos atrás, porém não é uma continuação, mas sim uma história em outra linha do tempo. Acompanhamos Beth (Lilly Sullivan), uma roadie que pede ajuda a sua irmã, não tão próxima, Ellie (Alyssa Sutherland) ao descobrir que está grávida e precisa parar de trabalhar. Ela se hospeda em uma casa no centro da cidade com os dois filhos dela, a jovem vê sua relação familiar ainda mais amarga quando Ellie é possuída por algo inexplicável, perverso. Ela começa a ameaçar a vida de todos da casa, em resumo da história. 


A trama não traz conexões diretas com outras produções da saga, como os filmes, os jogos e a série Ash Vs Evil Dead , mas utiliza a mesma premissa dos antecessores de acompanhar uma noite infernal após uma entidade demoníaca assombrar a casa e a pessoa que leu o Livro dos Mortos, dessa vez não na floresta, mas numa periferia na cidade de Los Angeles. Em termos de estrutura, A Morte do Demônio: A ascenção, joga seguro. Todos os elementos que se espera de Evil Dead vemos por aqui: o livro, os demônios nojentos e desbocados, os heróis-incomuns e a luta pela sobrevivência até o amanhecer. Embora essa lenda de que quando amanhecer a gente só percebe no final e entende que tudo ali que passou foi numa noite só, apesar de ser tão rápido os acontecimentos, mas isso é desenvolvimento de um bom roteiro.


Falando em produção, o filme é escrito e dirigido pelo diretor Lee Cronin, cineasta escolhido pelos criados Sam Raimi o Bruce Campbell para tocar o projeto adiante e com produção de Robert Tapert, esse último também produzi o antecessor de 2013. Ainda que demonstre certa pressão em ser elogioso aos antecessores, o cineasta parece se divertir com o desafio de manter tudo visualmente interessante dentro do confinamento da locação única, e também de abraçar o uso de efeitos práticos sempre que possível.  Seu estilo pode não ser chamativo como o de Sam Raimi, mas ainda convence ao brincar com reflexos nas janelas e em lâminas de faca, ameaças fora de foco, e belas cenas que fragmentam a tela com uso de split diopters. Em um dos melhores momentos, usados extensivamente na divulgação, o público acompanha Ellie possuída, cometendo um massacre no corredor, apenas pelo olho mágico da porta, com a típica distorção de uma lente olho-de-peixe, em uma barreira que parece frágil demais para conter toda sua perversão, o diretor acertou bem nessa escolha de filmagem. 



Cronin acerta a mão ao buscar estabelecer sua própria identidade visual para Evil Dead, que flerta muito com a estética de movimentos europeus como a Nova Extremidade Francesa, pelo seu uso contido de locações e apego por despertar aflição no espectador com sua violência e avalanche de sangue (literal, até). Mesmo com problemas de ritmo e originalidade, A Morte do Demônio: A Ascensão é um ótimo capítulo para uma franquia na ativa desde os anos 1980. O longa utiliza da mesma premissa da trilogia de Sam Raimi e pega a estética estabelecida por Fede Alvarez, e expande esse rol com sua própria voz e estilo. Ainda que possa soar um pouco repetitivo para os fãs de longa data, ainda merece atenção por sua experiência criativa, contida e muito sanguinária, feita sob medida para divertir e deixar aflito em medidas iguais. De certa forma, isso só mostra um ótimo entendimento da essência de Evil Dead.

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